14 novembro 2007

Simples assim

Aí eu tava sem nada pra fazer e resolvi puxar papo com a tiazinha da limpeza. Todo dia eu a vejo aqui no trampo mas nunca tinha falado com ela. Até que foi legal. Descobri que ela é boliviana, que trabalha aqui na empresa há uns 10 anos e... ai, tá bom né.

O mais importante foi que ela me nensinou a usar a máquina de café. Era incrível mas eu estava achando super complicado domar a cafeteira (acho que tô ficando velho).

Foi legal aprender a fazer café e também ver a cara da tiazinha. Ela realmente estava se sentindo útil. Fiquei com a sensação de que dei alguns minutos de alegria pra ela.

Aí vem aquela velha história de que quando mais pobre mais fácil ser feliz. Na verdade eu não sei. Só consigo pensar no café agora.

07 novembro 2007

Bette Midler estava certa

Sei não, to meio estranho. To vivendo o que eu chamo de “apatia agradável”. Ando muito tranqüilo, sem nenhum stress. Ao mesmo tempo não tenho vontade de fazer nada. Só penso em dormir e ver Ugly Betty.
E assim caminha a vida. É como seu eu estive num strand-by. A diferença é que eu não estou olhando pra frente nem pra trás. Apenas estou aqui. Esperando que passe.
Nessas horas sempre me vem à cabeça aquelas dúvidas existenciais. A mais freqüente é sobre em qual cidade eu era mais feliz. Brasília? São Paulo? Buenos Aires?
Foi então que eu li uma frase de uma obviedade incrível: a cidade são os amigos. É isso aí. A saudade que eu sinto não é das cidades mas sim das pessoas. Ok, isso é óbvio. O que não estava tão óbvio pra mim é a aplicação desse conceito à Buenos Aires. O que representa essa cidade para mim? Na verdade a pergunta não é essa. A pergunta correta é: o que representam pessoas que eu encontrei aqui? Não sei. Sinceramente não sei.
Ainda não consigo ver formada uma rede de relacionamentos como a que eu tinha em São Paulo. Aqui eu me sinto como se não fizesse parte de nenhum grupo. Tenho assim, contatos esporádicos de pessoas mais ou menos similares. Mas está longe de rolar uma identificação como a que eu tinha em São Paulo.
E logo vem outra pergunta: como será daqui pra frente? Eu não sou muito otimista. Acho que vai ficar assim até o final. Por vários motivos: falta de tempo, diferença cultural, consciência de que eu não vou ficar aqui pra sempre e preguiça... muita preguiça.
Acho que tudo isso me levou a essa situação de apatia. Se fôssemos racionalizar o conceito ele seria mais ou menos assim: o povo aqui é difícil, eu também sou. Sei que não vou ficar aqui por muito tempo e os outros também não. Então deixa eu ficar aqui quietinho em casa esperando esse tempo passar. Assim eu tenho menos chateação.
Pronto. É desse jeito que eu vou vivendo. É possível. É até agradável. Mas que o povo faz falta, ah isso faz.
Tudo isso pra concluir que, no fundo no fundo, certa estava a Bette Midler. E eu nem precisava ter viajado pra descobrir.

P.S. – Você achou a Bette Midler brega?! E esse post, você acha que é o que???

02 novembro 2007

Parejitas

Tá acontecendo um fenômeno social. Simplesmente todas as pessoas que eu conheço resolveram namorar esse ano. Cada dia que passa mais pessoas se somam ao grupo dos comprometidos. Esse grupo, obviamente, não inclui a mim. Calma! Esse não é um texto de auto-piedade da linha "por que eu tô sozinho". O foco é outro.
Tem uma coisa que me chama muito a atenção. É que todos os meus amigos encontraram namorados que são seus clones. Tipo, pessoas quase que exatamente iguais, com os mesmos interesses e características. Eu me dei conta disso quando eu vi ontem um casal jogando lado a lado um desses jogos de computador. Estavam aí na maior felicidade, falando sobre o jogo e disfrutando o passatempo comum. Aí eu acabei percebendo um padrão. Em outro casal de amigos, os dois são ligados em modas e essas frescuras de viado. Estão sempre arrumadíssimos e passam horas falando sobre o corte das calças. E tem o casal dos rockeirinhos, das barbies, das alternativas bjorkeras e por aí vai. É engraçado ver os conjuntidos assim.
A surpresa está porque eu pensava justamente o oposto. E que os casais seriam complementares e não iguais. A bicha nerd deveria namorar um porra louca e não outra nerd. Esse negócio de pares iguais confundiu um pouco a minha cabeça.
No meu caso eu sinceramente não sei se o padrão se aplica. Eu acho que admiro o oposto mas no fundo eu busco um igual.
E a questão que fica é: como será uma bicha igual a mim?
Tenho medo! :D